Bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP
Colunista de Filosofia do jornal jurídico Carta Forense (desde 2006)
Professora de Mitologia Greco-Romana (Galleria Borghese, Roma)
Professora de História do Renascimento (Nettuno e Florença)
Colunista de Astrologia & Arte no Consueloblog (Florença)
e-mail - mitologia@esdc.com.br

AR


Saturno na Casa III (como no signo de Gêmeos) 

Quando Saturno começa a atravessar a Casa III, a sensação de que muitas das questões práticas que nos tinham ocupado a atenção estão agora resolvidas permite-nos começar a dirigir a energia para uma nova aprendizagem que nos abrirá a profundidade da preparação profissional e nos permitirá conhecer o valor das nossas ideias.

Este período e, regra geral, sentido como menos pesado do que o trânsito de Saturno pela Casa da Terra anterior (a II), embora a importância relativa da fase da Casa III dependa de que a pessoa ser intelectualmente orientada ou dedicada a um trabalho que envolva comunicação ou viagens.

Existe, muitas vezes, uma tendência para a preocupação sem objetivo e qualquer insegurança acerca das opiniões próprias ou da profundidade do conhecimento pessoal torna-se geralmente aparente. É um período em que nos devemos concentrar na aprendizagem de fatos novos, de ideias novas, de novos talentos, que deem profundidade e praticabilidade à expressão da inteligência.

Trata-se de um período excelente para a investigação ou para qualquer gênero de pensamento profundo; geralmente, dedica-se mais esforço à estruturação dos planos educacionais próprios, aos métodos de escrita ou de ensino ou ao modo de expressão das ideias pessoais.

Assinala-se uma maior ênfase na análise séria, no pensamento prático e na capacidade de exprimir ideias com mais rigor. Muitas pessoas verificam que estão acordadas até mais tarde, a ler, e algumas que se registrou uma alteração não só no seu método de comunicação, como até no tom de voz.

Tais mudanças são causadas pelo sentimento que a pessoa tem de que precisa construir uma estrutura mais sólida sobre a qual baseie as suas ideias e opiniões. Por isso, muitas vezes, o indivíduo se dedica mais a atividades educacionais ou a investigações particulares que possam servir este objetivo.

De fato, mesmo que muitas das ideias, fatos e técnicas aprendidas durante este período possam não ter grande uso no futuro, o conhecimento dessas técnicas e pontos de vista proporcionam uma base de conhecimento que pode habilitar a pessoa a comparar e a avaliar teorias, conceitos e métodos à luz da sua experiência pessoal.

Nesta fase, é também indispensável uma aprendizagem ou uma pesquisa de âmbito mais vasto, a fim de aprofundar o sentido pessoal de segurança quanto à inteligência; de outro modo, a pessoal de segurança quanto à inteligência; de outro modo, a pessoa pode ter estado apenas a exprimir opiniões ou ideias em abstrato, sem a experiência imediata que lhes dá credibilidade.

Em muitos casos, trata-se ainda de um período de viagens, resultante das exigências da profissão, de deveres familiares ou de outras responsabilidades. É também um período de “reatar elos perdidos”, não só nas áreas intelectuais da vida, mas também nas relações com outras. Durante esta fase, o indivíduo definirá exatamente quais os limites das várias relações com amigos e conhecidos.


Saturno na Casa VII – (como no signo de Libra)

Tal como o trânsito de Saturno por qualquer outra casa, esta posição pode manifestar-se simultaneamente a diversos níveis.

Alguns dos meus clientes começaram a fazer sociedades neste período que, regra geral, se consolidaram financeiramente quando Saturno entrou na Casa VIII.

Todas as relações são levadas mais a sério e a pessoa começa, muitas vezes, a assumir maior responsabilidade na manutenção de determinada relação. O ponto focal da atenção na maior parte dos casos parece ser, contudo, o das relações fundamentais pessoais ou o do casamento.

Quando Saturno cruza o descendente e começa o seu semiciclo acima do horizonte, compreendemos as nossas necessidades de relação com os outros, as nossas limitações e os nossos deveres. Este período assinala também a entrada do indivíduo numa fase mais florescente de participação pública e social.

Se uma pessoa tem por garantia uma relação importante ou sente que determinada relação não está a satisfazer suas necessidades, é esta a altura para enfrentar realisticamente a situação (O trânsito de Saturno por Vênus natal é semelhante).

Saturno devolve-nos à realidade das áreas de vidas indicadas pela sua posição e devemos tentar estabelecer uma perspectiva solida bem definida das relações que tem um forte impacto em todo o nosso estilo de vida e na nossa identidade (repare-se que quando Saturno transita em conjunção com o descendente está, ao mesmo tempo, em oposição com o Ascendente).

Se se espera demasiado de uma relação ou do casamento, se se sente que ela é impraticável do modo que para nós é importante, é altura de enfrentar os fatos com objetividade e isenção.

Nesta fase, desenvolve-se, muitas vezes, uma certa frieza e reserva nas atitudes e no comportamento nas relações íntimas, e o nosso companheiro pode interrogar-se sobre os motivos que parecem levar-nos a abandonar o estilo habitual de relacionamento.

Se se puder explicar que estamos apenas a distanciar-nos um pouco do outro por algum tempo, a fim de adquirirmos uma perspectiva mais clara da relação e da medida em que queremos participar nela, o companheiro, pelo menos, não imaginará coisas piores do que a situação real.

Não ha dúvida de que este período pode ser um teste para muitos casamentos e relações íntimas, mas o stress que arrasta consigo depende da qualidade e do nível de autenticidade que tenha caracterizado essas relações no passado.

Na minha experiência, em contraste com algumas afirmações astrológicas, o divórcio não é mais comum neste período do que durante aquele em que Júpiter transita pela Casa VII. Parece até, menos comum do que neste último período, visto que o trânsito de Júpiter assinala uma época em que uma pessoa procura florescer e expandir os limites das suas relações.

Mas o trânsito de Saturno através da VII Casa é um período de decisões e empenhamentos (ou reempenhamentos) no âmbito das relações e talvez que o mais importante nesta fase seja a capacidade que se adquire para ver mais objetivamente o nosso companheiro como uma pessoa totalmente diferente de nós, mais do que como apêndice ou apenas um objeto ao qual dirigimos as nossas projeções. 

Em resumo, se determinada relação for suficientemente saudável e flexível para que possamos sentir na íntegra a nossa identidade e relacionarmo-nos com os outros e com a sociedade em plena consciência, então ela é, decerto, viável. 

Eis o que compreenderemos durante este período, embora essa compreensão possa surgir somente depois de alguns severos testes de qualidade da relação. De outro modo, devemos redefinir nesta fase a própria relação e a perspectiva que dela temos, e tomar decisões sobre a energia que devemos utilizar para torná-la viável.


Saturno na Casa XI (como no signo de Aquário)

O significado da Casa XI raramente é esclarecido na maior parte dos textos astrológicos e as palavras-chave dadas para esta casa são, com frequência, vagas e confusas. Parece-me, antes do mais, que esta Casa simboliza o nosso sentido individual, isto é, o modo como vemos a nossa função na sociedade e como nos queremos desenvolver no futuro a um nível pessoal.

Esta Casa é provavelmente aquela que está mais virada para o futuro, e as pessoas que tem nela o Sol ou outros planetas importantes tendem a preocupar-se muito com o futuro, quer quanto ao que desejam tornar-se, quer quanto ao modo como a sociedade se desenvolve e àquilo a que irá chegar.

Por isso, o trânsito de Saturno por esta Casa indica um período em que compreendemos o que fizemos, o que não fizemos e aquilo que devemos fazer, especialmente em relação aos outros ou à sociedade como um todo.

É uma fase para descobrir o que estamos a dar aos outros, agora que dispomos de um lugar na sociedade (Casa X). É um período em que é importante pensar nos nossos objetivos; não tanto em objetivos de carreira, mas nos objetivos pessoais, aquilo que queremos ser, que papel sentimos que nos é mais adequado na comunidade dos seres humanos.

É um período para definir os nossos desejos e esperanças íntimos, o sentido do que desejamos para nós próprios em relação com as necessidades dos outros. É, por isso, um tempo de assumirmos mais responsabilidades no modo como nos relacionamos com as outras pessoas, preocupação esta que leva a uma atitude mais sóbria, não só para com as amizades e associações individuais, como também para com os compromissos tomados com grupos de pessoas.

Em alguns casos, podemos ter necessidade de acabar com várias amizades ou associações; mas, noutros, descobriremos uma ânsia de assumir nelas mais responsabilidade.

Por exemplo, uma senhora dedicou-se a organizar (Saturno) excursões para grupos de celibatários quando Saturno transitava pela sua Casa XI. Como se pode ver pela associação desta Casa com o signo de Aquário, é um período para oferecer aos outros aquilo que aprendemos durante o trânsito de Saturno pelas dez Casas anteriores.

Referência Bibliográfica: "Astrologia, Karma & Transformação", de Stephen Arroyo (esgotada).

Dúvidas? Envie e-mail para: mitologia@esdc.com.br

Meu Insta...

"Sábio é quem em tudo lê". Plotino

"Sábio é quem em tudo lê". Plotino

Entendimento dos Símbolos

Por Fernando Pessoa

Benedictus Dominus Deus noster qui debit nobis signum

O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.


A primeira é simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Têm o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada - todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.

A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.

A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isso se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição não a tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.

A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é em síntese; e a compreensão é uma vida. Assim, certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou ao mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.

A quinta é menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é graça, falando a outros que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.

Eu sei ler as estrelas!

Eu sei ler as estrelas!

Próspero, o duque de Milão à sua filha, Miranda em "A Tempestade".

Próspero, o duque de Milão à sua filha, Miranda em "A Tempestade".

Sobre A Metafísica - Rainha das Ciências - A Hécuba kantiana: * A S T R O L O G I A *

Aristóteles: "Este mundo está ligado duma maneira necessária aos movimentos do mundo superior. Todo o poder no nosso mundo é governado por estes movimentos" . (Tratado do Céu)

São Tomás de Aquino: "Os corpos celestes são a causa de tudo o que se produz neste mundo sublunar, agem indiretamente sobre as ações humanas, mas nem todos os efeitos que produzem são inevitáveis". (Suma, quest. XV, art. 5 e vol.III, pp. 2-29)

Dante: "Os astros são, de fato, a causa primeira de vossas ações, mas haveis recebido uma luz que vos permite distinguir o bem do mal, e uma vontade livre que, após ter começado a lutar contra os astros, de tudo triunfa se for bem dirigida". (Purgatório, XVI, 73)

Tycho-Brahé: "O homem contém em si uma influência bem maior do que a dos astros; superará as influências se viver segundo a justiça, mas, se seguir as suas tendências cegas, se descer à classe dos brutos e dos animais, vivendo com eles, o rei da natureza já não comanda, é comandado pela natureza".

Kepler: "Vinte anos de estudos práticos convenceram o meu espírito rebelde da realidade da astrologia".

Goethe: "Vim ao mundo em Franco forte-sobre-o-Meno a 28 de Agosto de 1749, ao soar a última badalada do meio-dia. A constelação era feliz, o Sol estava no signo da Virgem; Júpiter e Vênus formavam com ele bons aspectos; Mercúrio não era desfavorável, Saturno e Marte eram neutros; só a Lua, cheia nesse dia, exercia a força da sua reverberação tanto mais poderosa quanto a sua hora planetária havia começado. Opôs-se, portanto, ao meu nascimento até que essa hora passou. Estes bons aspectos, mais tarde altamente apreciados pelos astrólogos, serão sem dúvida a razão por que fiquei vivo, pois, pela incúria da parteira, julgaram que estava morto quando vim ao mundo, e só depois de numerosos esforços vi a luz". (Poesia e Verdade, cap. I).

Balzac: "A Astrologia é uma ciência imensa e que reinou nas mais altas inteligências".

C.G. Jung: "Se as pessoas cuja instrução deixa a desejar têm julgado que podem fazer troça da astrologia, considerando-a como uma pseudociência há muito liquidada, essa astrologia, remontando das profundezas da alma popular, volta hoje a apresentar-se às portas das nossas universidades, que deixou há três séculos". (Seelenprobleme derGegenwart, p. 241)

André Breton: "É (a astrologia) para mim uma dama muito alta, muito bela e vinda de tão longe que não pode deixar de encantar-me. No mundo puramente físico, não vejo outra cujas qualidades possam rivalizar com as suas. Parece-me, além disso, guardar um dos mais altos segredos do mundo. É pena que hoje – pelo menos para o vulgo – reine no seu lugar uma prostituta". (Atrologie moderne, nº 12, Outubro de 1954)

Claude Lévi-Strauss: "Os antigos construíram um sistema, e esse sistema, a partir do momento em que foi construído, mostrou-se operante e fecundo, pois o homem só pode pensar com sistemas. A astrologia foi um grande sistema, pois ajudou o homem a pensar durante milênios". (L'Astrologue, nº 9)

Lucien Malavard (Prof. De Ciências na Sorbonne): "Penso que os antigos fizeram de certo modo ciências humanas avant lalettre por meio da astrologia: elaboraram assim uma classificação dos seres, uma maneira de ver mais claro nos comportamentos humanos. Pela minha parte, sentir-me-ia tentado a situar a astrologia ao lado das ciências humanas, um pouco mais longe...". (L'Astrologue, nº 15)

ASTROLOGIA NÃO É DOGMA DE FÉ (creio/não creio).

Requer conhecimentos básicos de matemática, geometria, mitologia, antropologia, história, psicologia, semiótica, física, astronomia e filosofia pré-socrática.

Conclamar a união de todas essas disciplinas já a torna deveras intrigante!

Ouça entrevista (em áudio) que concedi sobre Astrologia em "Conhecimento Sem Fronteiras", no site da ESDC: http://www.esdc.com.br/

Entrevista em áudio sobre Astrologia

Realizada por Márcia Oshiro com a Profª Luciene Félix


1ª Parte (duração: 10:45)

O que é astrologia?
Quais os pressupostos deste Saber?
Que conhecimento é necessário para decodificar essa linguagem?
O que são os quatro elementos?
O que tem a nos dizer sobre a Era de Aquário?
No que o estudo de um mapa astral pode ajudar as pessoas?
Qual é a informação mais importante de um mapa astral?

2ª Parte (duração: 9:34)
Após o Sol, qual é a segunda informação a ser analisada?
Como descobrir qual é nosso signo Ascendente?
E quem é de Câncer, por exemplo? Errata: Asc. Câncer mesmo é para quem nasce entre 6 e 8hs da manhã
Qual planeta rege qual signo?
Podemos confiar em mapas da internet?
E quanto às interpretações dos mapas astrais da internet?

3ª Parte (duração: 11:25)
Após o Sol, o Ascendente e a Lua, o que deve ser analisado?
Breve resumo do posicionamento de Vênus nos 4 elementos?
E o que seria uma Vênus mal posicionada?
E quanto a localização do planeta Marte num mapa?

4ª Parte (duração: 9:49)
Posicionamento de Marte & Vênus e a vida sexual.
O que é "Trânsito Astrológico"?
Exemplo de Trânsito.
Qual influência do ciclo de lunação?
E quanto a Lua Cheia?

5ª Parte (duração: 13:24)
O grande presente: o benéfico Júpiter!
Interpretação do trânsito de Júpiter/Zeus por Casas.
Em que consiste o sistema de Casas derivadas?
Sobre a arte do divinatio, da advinhação.
Conhecendo "O Segredo" de se auto-conhecer
E quanto ao rebaixamento de Plutão?
És astróloga? Ensinas a ler as estrelas...