Bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP
Colunista de Filosofia do jornal jurídico Carta Forense (desde 2006)
Professora de Mitologia Greco-Romana (Galleria Borghese, Roma)
Professora de História do Renascimento (Nettuno e Florença)
Colunista de Astrologia & Arte no Consueloblog (Florença)
e-mail - mitologia@esdc.com.br

ÁGUA


Saturno na Casa IV (como no signo de Câncer) 

O trânsito de Saturno pela Casa IV é um período para o indivíduo se concentrar nos alicerces da segurança e da sobrevivência, um período para confrontar as necessidades básicas de um sentimento de pertença e de tranquilidade.

A pessoa tende a olhar mais seriamente o seu lugar na comunidade e tenta, muitas vezes, estabelecer um sentido de solidez e de ordem no ambiente do lar. Isto pode significar, naturalmente, muitas coisas diferentes para pessoas diferentes, mas são, regra geral, duas as áreas de atenção no que respeita ao lar: 

1) o estado físico e a arquitetura da casa podem parecer inadequados aos objetivos pessoais. O indivíduo pode então decidir modificá-la de algum modo, umas vezes construindo seja o que for dentro da própria residência ou no jardim, outras vezes mudando mesmo de casa; e

2) as obrigações para com a família tornam-se mais reais e insistentes. A pessoa se sentirá oprimida no ambiente que a rodeia, sensação que pode constituir um aviso de que é necessário definir melhor os limites não só da vida doméstica, como das próprias ambições (a Casa X – oposição polar com a Casa IV).

Na verdade, o trânsito de Saturno pela Casa IV é um período em que se devem lançar os alicerces de quaisquer ambições a longo prazo e determinar a base de operações necessária para a carreira pessoal.

Isto pode levar à redefinição do negócio, da profissão ou, pelo menos, à reestruturação do ambiente em que se trabalha. Uma última nota acerca da Casa IV é que as pessoas parecem, muitas vezes, experimentar o karma direto durante esse período, relacionado com os seus esforços criativos e/ou casos amorosos do passado. Explica-se tal fato se repararmos que a Casa IV é a XII a contar da Casa V.


Saturno na Casa VIII (como no signo de Escorpião) 

Este período pode acentuar uma destas dimensões de vida ou todas elas: financeira, sexual-emocional, psicológica ou espiritual. Como a Casa VIII está associada a Plutão e a Escorpião, este período é particularmente importante como tempo de acabar com velhos padrões de vida e – embora abandonando algum intenso desejo ou ligação – de experimentar uma espécie de renascimento no final. 

A necessidade de disciplinar os desejos e de estruturar as ligações emocionais torna-se clara, quer através de circunstâncias que nos impelem a enfrentar certos fatos pela pressão da frustração, quer pela compreensão íntima das ramificações últimas dos nossos desejos e do modo como usamos todas as formas de poder – financeiro, sexual, emocional, oculto e espiritual.

Muitas pessoas sentem este período como um tempo de profundo sofrimento, cuja causa é difícil identificar. Algumas comparam-no a uma travessia do Inferno ou do Purgatório, na qual os seus desejos e ligações se refinam e a sua consciência das energias mais profundas da vida é despertada.

Trata-se, em resumo, de um período para enfrentar os ultimatos da vida, as experiências medulares tantas vezes ignoradas e desprezadas. Muitos indivíduos parecem preocupar-se com as realidades essenciais da vida da Alma, do Além e da morte. 

É um tempo para enfrentar o fato inexorável da morte com mais realismo – e a consciência da inevitabilidade da morte leva, muitas vezes, as pessoas a dedicarem-se à expressão das suas últimas vontades, fazendo testamentos e dispondo de seus bens.

Nesse período, são também frequentes outras reorganizações financeiras, mas, regra geral, o indivíduo procura proteger-se e estabelecer um certo tipo de “segurança da alma” ao mais profundo nível possível.

Trata-se igualmente de uma fase em que se compreende a importância da vida sexual e das implicações do modo como as energias sexuais tem sido canalizadas. Em alguns casos, é um período de frustração sexual, forçando a pessoa a tornar-se mais reservada e disciplinada; noutros casos, o indivíduo agirá conscientemente, de modo a cortar com determinados escapes ou atividades sexuais anteriormente importantes, compreendendo o valor a conter a força sexual dentro de si próprio, a não ser que ela seja usada com um propósito construtivo e curativo.

É também um tempo em que muitas pessoas se absorvem em estudos de ocultismo, práticas espirituais e em vários tipos de investigação. Parece-me que uma das chaves para este período pode obter-se entendendo que a Casa VIII é a última das 12 casas a contar da Casa IX: por outras palavras, o trânsito de Saturno por esta Casa VIII traz à superfície os resultados dos nossos esforços para viver os nossos ideais e crenças.

Isto manifesta-se então como transformação – quer agradável, quer dolorosa, por causa do sofrimento exigido para a redefinição dos ideais de vida.



Saturno na Casa XII (como no signo de Peixes)

Como afirmei no princípio deste capítulo, o trânsito de Saturno por esta Casa, juntamente com o seu trânsito pela Casa I, coincide com uma importante fase de transição na vida de toda a gente. 

A fase de Saturno na Casa XII é um período em que defrontamos resultados de todos os pensamentos, ações, desejos e atividades que foram nossos durante o último ciclo saturnino através das outras Casas.

O modo pelo qual nos temos exprimido [expressado] no mundo (Casa I) levou-nos, inevitavelmente, a esse tipo de karma. Se é este o primeiro trânsito de Saturno pela Casa XII durante esta vida, então a fase da vida que termina com este período pode ser uma que começou numa vida passada.

Mas, em qualquer caso, trata-se do fim de um velho ciclo; e, por isso, muitas vezes nos sentimos descontentes, confusos, desorientados, presos num quadro emocional e mental, à medida que velhas estruturas começam a desmoronar-se.

Por outras palavras, as ambições, valores, prioridades e crenças que em tempos deram significado e direção à nossa vida, começam a dissolver-se quando Saturno entra nesta Casa; e a sensação de estarmos perdidos, de não termos base sólida em que assentemos os pés, é geralmente muito forte durante o primeiro ano desta fase, até que se consolidem novos valores e novas atitudes, mais apurados, perante a vida.

Trata-se, assim, de um período para a definição dos ideais e da orientação espiritual última, e muitas pessoas ocupam-no experimentando novas perspectivas, depois de se terem libertado de velhas ligações que agora se demonstram como vazias e inertes.

Em resumo, trata-se de um período de trabalho na clarificação das dimensões transcendentes e sutis da vida que, embora sejam difíceis de exprimir, constituem a mais oculta fonte de força que nos ajuda a combater pelo desenvolvimento no meio das batalhas e dos obstáculos da vida.

A Casa XII tem sido denominada a Casa do isolamento porque, neste período, é bastante comum um certo tipo de isolamento físico.

Mais o mais comum é a pessoa, pelo menos durante a primeira metade do período, sentir-se numa prisão emocional, isolada do mundo exterior que parece distante e irreal.

É um período em que nos devemos voltar para nós próprios, a fim de despertar fontes interiores de energia emocional e espiritual; e, muitas vezes, parece que se não optarmos conscientemente neste sentido, surgem circunstâncias que nos levam a experimentar uma certa forma de isolamento pessoal e não nos deixarão outra escolha senão a de refletir sobre as nossas vidas de uma perspectiva distanciada.

Mas, na maior parte dos casos que conheço, a pessoa anseia pelo isolamento, por se afastar das preocupações do mundo exterior, quer isto tome a forma da fuga para o mosteiro ou de uma simples retirada das muitas associações e atividades que dantes tinham sentido.

É um período excelente para o estudo de temas espirituais, místicos ou ocultos, e muitas pessoas sentem-se também particularmente atraídas para a expressão musical, poética ou visionária, visto que aquilo que sentem não pode exprimir-se em termos lógicos ou racionais, mas somente através de imagens, vibrações e intuições.

Verifica-se também, com frequência, um impulso para atividades humanitárias ou eminentemente sociais, como meio de descobrir um sentido para a vida.

Os problemas de saúde, não raros neste período, são, regra geral, de ordem psicossomática, queixas difíceis de diagnosticar que só uma terapia psicológica/espiritual resolverá.

A energia física é, muitas vezes, baixa, devido ao desgaste emocional proveniente da desagregação de toda a antiga estrutura da personalidade. O velho dissolve-se, a fim de deixar espaço para o nascimento de uma nova orientação de vida, de uma nova estrutura de vida.

Contudo, o mais desorientador neste período é o fato de se caracterizar pela espera, pelo sonho, pela exploração interior, tempo durante o qual o indivíduo não tem limites firmes nem uma base sólida a que se fixe.

Uma pessoa espera e prepara o nascimento da nova estrutura, mas não começará a construí-la enquanto Saturno não tiver cruzado o Ascendente para entrar na Casa I. No entanto, se uma pessoa extrair força interior da compreensão de que um novo EU se está a criar, a libertar-se de inúmeros estorvos, então, quando Saturno atravessa a Casa XII e se aproxima do Ascendente, podemos nos tornar cada vez mais inspirados, cada vez mais felizes.

Referência Bibliográfica: "Astrologia, Karma & Transformação", de Stephen Arroyo (esgotada).

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"Sábio é quem em tudo lê". Plotino

"Sábio é quem em tudo lê". Plotino

Entendimento dos Símbolos

Por Fernando Pessoa

Benedictus Dominus Deus noster qui debit nobis signum

O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.


A primeira é simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Têm o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada - todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.

A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.

A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isso se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição não a tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.

A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é em síntese; e a compreensão é uma vida. Assim, certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou ao mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.

A quinta é menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é graça, falando a outros que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.

Eu sei ler as estrelas!

Eu sei ler as estrelas!

Próspero, o duque de Milão à sua filha, Miranda em "A Tempestade".

Próspero, o duque de Milão à sua filha, Miranda em "A Tempestade".

Sobre A Metafísica - Rainha das Ciências - A Hécuba kantiana: * A S T R O L O G I A *

Aristóteles: "Este mundo está ligado duma maneira necessária aos movimentos do mundo superior. Todo o poder no nosso mundo é governado por estes movimentos" . (Tratado do Céu)

São Tomás de Aquino: "Os corpos celestes são a causa de tudo o que se produz neste mundo sublunar, agem indiretamente sobre as ações humanas, mas nem todos os efeitos que produzem são inevitáveis". (Suma, quest. XV, art. 5 e vol.III, pp. 2-29)

Dante: "Os astros são, de fato, a causa primeira de vossas ações, mas haveis recebido uma luz que vos permite distinguir o bem do mal, e uma vontade livre que, após ter começado a lutar contra os astros, de tudo triunfa se for bem dirigida". (Purgatório, XVI, 73)

Tycho-Brahé: "O homem contém em si uma influência bem maior do que a dos astros; superará as influências se viver segundo a justiça, mas, se seguir as suas tendências cegas, se descer à classe dos brutos e dos animais, vivendo com eles, o rei da natureza já não comanda, é comandado pela natureza".

Kepler: "Vinte anos de estudos práticos convenceram o meu espírito rebelde da realidade da astrologia".

Goethe: "Vim ao mundo em Franco forte-sobre-o-Meno a 28 de Agosto de 1749, ao soar a última badalada do meio-dia. A constelação era feliz, o Sol estava no signo da Virgem; Júpiter e Vênus formavam com ele bons aspectos; Mercúrio não era desfavorável, Saturno e Marte eram neutros; só a Lua, cheia nesse dia, exercia a força da sua reverberação tanto mais poderosa quanto a sua hora planetária havia começado. Opôs-se, portanto, ao meu nascimento até que essa hora passou. Estes bons aspectos, mais tarde altamente apreciados pelos astrólogos, serão sem dúvida a razão por que fiquei vivo, pois, pela incúria da parteira, julgaram que estava morto quando vim ao mundo, e só depois de numerosos esforços vi a luz". (Poesia e Verdade, cap. I).

Balzac: "A Astrologia é uma ciência imensa e que reinou nas mais altas inteligências".

C.G. Jung: "Se as pessoas cuja instrução deixa a desejar têm julgado que podem fazer troça da astrologia, considerando-a como uma pseudociência há muito liquidada, essa astrologia, remontando das profundezas da alma popular, volta hoje a apresentar-se às portas das nossas universidades, que deixou há três séculos". (Seelenprobleme derGegenwart, p. 241)

André Breton: "É (a astrologia) para mim uma dama muito alta, muito bela e vinda de tão longe que não pode deixar de encantar-me. No mundo puramente físico, não vejo outra cujas qualidades possam rivalizar com as suas. Parece-me, além disso, guardar um dos mais altos segredos do mundo. É pena que hoje – pelo menos para o vulgo – reine no seu lugar uma prostituta". (Atrologie moderne, nº 12, Outubro de 1954)

Claude Lévi-Strauss: "Os antigos construíram um sistema, e esse sistema, a partir do momento em que foi construído, mostrou-se operante e fecundo, pois o homem só pode pensar com sistemas. A astrologia foi um grande sistema, pois ajudou o homem a pensar durante milênios". (L'Astrologue, nº 9)

Lucien Malavard (Prof. De Ciências na Sorbonne): "Penso que os antigos fizeram de certo modo ciências humanas avant lalettre por meio da astrologia: elaboraram assim uma classificação dos seres, uma maneira de ver mais claro nos comportamentos humanos. Pela minha parte, sentir-me-ia tentado a situar a astrologia ao lado das ciências humanas, um pouco mais longe...". (L'Astrologue, nº 15)

ASTROLOGIA NÃO É DOGMA DE FÉ (creio/não creio).

Requer conhecimentos básicos de matemática, geometria, mitologia, antropologia, história, psicologia, semiótica, física, astronomia e filosofia pré-socrática.

Conclamar a união de todas essas disciplinas já a torna deveras intrigante!

Ouça entrevista (em áudio) que concedi sobre Astrologia em "Conhecimento Sem Fronteiras", no site da ESDC: http://www.esdc.com.br/

Entrevista em áudio sobre Astrologia

Realizada por Márcia Oshiro com a Profª Luciene Félix


1ª Parte (duração: 10:45)

O que é astrologia?
Quais os pressupostos deste Saber?
Que conhecimento é necessário para decodificar essa linguagem?
O que são os quatro elementos?
O que tem a nos dizer sobre a Era de Aquário?
No que o estudo de um mapa astral pode ajudar as pessoas?
Qual é a informação mais importante de um mapa astral?

2ª Parte (duração: 9:34)
Após o Sol, qual é a segunda informação a ser analisada?
Como descobrir qual é nosso signo Ascendente?
E quem é de Câncer, por exemplo? Errata: Asc. Câncer mesmo é para quem nasce entre 6 e 8hs da manhã
Qual planeta rege qual signo?
Podemos confiar em mapas da internet?
E quanto às interpretações dos mapas astrais da internet?

3ª Parte (duração: 11:25)
Após o Sol, o Ascendente e a Lua, o que deve ser analisado?
Breve resumo do posicionamento de Vênus nos 4 elementos?
E o que seria uma Vênus mal posicionada?
E quanto a localização do planeta Marte num mapa?

4ª Parte (duração: 9:49)
Posicionamento de Marte & Vênus e a vida sexual.
O que é "Trânsito Astrológico"?
Exemplo de Trânsito.
Qual influência do ciclo de lunação?
E quanto a Lua Cheia?

5ª Parte (duração: 13:24)
O grande presente: o benéfico Júpiter!
Interpretação do trânsito de Júpiter/Zeus por Casas.
Em que consiste o sistema de Casas derivadas?
Sobre a arte do divinatio, da advinhação.
Conhecendo "O Segredo" de se auto-conhecer
E quanto ao rebaixamento de Plutão?
És astróloga? Ensinas a ler as estrelas...