Bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP
Colunista de Filosofia do jornal jurídico Carta Forense (desde 2006)
Professora de Mitologia Greco-Romana (Galleria Borghese, Roma)
Professora de História do Renascimento (Nettuno e Florença)
Colunista de Astrologia & Arte no Consueloblog (Florença)
e-mail - mitologia@esdc.com.br

49 aos 56

Ciclos de Evolução - Alexander Ruperti


Dos 49 aos 56 anos: Nível Psicológico – Educação de outros. Maior responsabilidade social. Negativamente, rigidez mental devido à incapacidade de mudar a atitude na vida e o comportamento adotados.


Este período de 7 anos corresponde ao nível psicológico extrovertido que vai dos 14 aos 21 anos de idade. Assim como o jovem que, no período de crescimento tenta transportar o seu egoísmo infantil para a vida adulta, deve pagar pelo seu egocentrismo com o fracasso social, assim também qualquer um que transporte para o crepúsculo da vida o objetivo da conquista do dinheiro, da conquista social ou da ambição dinástica, deverá pagar por isso com danos à sua alma. Como diz Jung:

...as pessoas que estão envelhecendo deveriam saber que suas vidas já não estão crescendo e se expandindo, mas que inexorável processo interior força a contração da vida. 

Se para um jovem é perigoso preocupar-se excessivamente consigo mesmo, para a pessoa que está envelhecendo é um dever e uma necessidade dedicar séria atenção a si mesma... 

O ser humano certamente não alcançaria os setenta ou oitenta anos se esta sua longevidade não tivesse significado para a espécie. (The Stages of Life, p. 399)

A lição a ser aprendida através dessa fase do ciclo de vida consiste no significado que pode e deve ser colhido da vida que foi vivida até esse ponto. Isso é descrito, astrologicamente, pela segunda quadratura minguante de Saturno, que ocorre ao redor dos 52 anos de idade.

Mais uma vez, a pessoa passará pelo processo de amputação das antigas imagens e das atitudes e padrões de hábito nela embutidos. 

Enquanto que no nível psicológico extrovertido o indivíduo foi solicitado a romper com os padrões familiares e a libertar-se dos conceitos tradicionais geralmente impostos sobre ele na escola, nesta idade de 52 anos ele é solicitado a esquecer as lembranças dos seus fracassos passados – as dificuldades psíquicas ou orgânicas que as crises próprias da faixa de quarenta anos podem ter provocado. 

Ele deve limpar a lousa psicológica, preparando-se para o momento do início do terceiro ciclo de Saturno, por volta dos 59 anos de idade.

Aqui, mais uma vez, o apego ou a identificação com os pais ou com atitudes familiares torna-se importante – contudo, desta vez de uma forma introvertida e num nível psíquico, melhor do que num nível físico. 

Durante o período psicológico extrovertido que vai dos 14 aos 21 anos de idade, muitos jovens abandonam o lar, tentando, com isso, romper os laços da dependência psíquica aos pais. Mas rebelião não significa liberdade.

A solução extrovertida não é resposta para um problema que é basicamente subjetivo; desse modo, no nível psicológico introvertido correspondente, o problema reaparece. 

Desta vez o indivíduo já não é financeiramente dependente dos seus pais – ao contrário, são eles que poderão depender dele financeiramente; e, se ele está morando com os pais, está no seu lar e não no deles.

Mais uma vez, vê-se diante de todas aquelas atitudes e valores que poderá ter jogado fora na sua juventude simplesmente porque vieram dos seus pais. 

Agora ele tem a oportunidade de escolher conscientemente aqueles valores hereditários – pode ver seus pais objetivamente, numa perspectiva nova, e pode estabelecer um relacionamento individual com eles.

Se os pais morrem ou precisam ser internados antes que possa experimentar um relacionamento verdadeiramente pessoal com ambos, então ele poderá ficar, pelo resto da sua vida, com uma sensação de incompletação. 

A culpa resultante pode erguer uma formidável barreira à verdadeira experiência do Eu, e a pessoa passa então para o terceiro estágio da vida e para o renascimento em potencial aos 60 anos de idade com uma lousa permanentemente suja.

No 50º ano, Urano entra na 8ª fase do seu ciclo – a fase regenerativa. Isto poderá determinar experiências ocultas profundas. A crise mental-psicológica dos quarenta anos torna-se agora uma crise biológica. Durante este período a pessoa vê os resultados concretos de tudo aquilo que ocorreu no ponto médio da faixa de quarenta anos.

Se ela não é bem sucedida no que se refere a enfrentar construtivamente os obstáculos físicos iminentes ou as obstruções psicológicas consequentes do seu fracasso na tentativa de tornar-se uma personalidade integrada, então ela experimentará agora uma cristalização gradual daquelas atitudes e crenças psicológicas e sociais estabelecidas, que não teve a vontade interior de modificar. Ela se tornará “velha demais para mudar”.

A pessoa que consegue viver todo este período de 7 anos de uma maneira positiva – porque teve a coragem espiritual e, também, um senso de destino suficientemente forte para atravessar quaisquer crises ou tragédias que a vida lhe tenha trazido – deverá agora tentar levar a colheita das suas experiências para a condição de semente.

Em outras palavras, o indivíduo estará pronto para assumir uma responsabilidade social ainda maior, e para ensinar os outros, tendo como base aquilo que aprendeu e experimentou. 

Estará pronto porque, no período de 7 anos anterior a este, trabalhou consciente e deliberadamente, a fim de mudar o seu relacionamento com a sociedade.

Depois de cerca de trinta anos de produtividade, durante os quais a tendência normalmente é de julgar tudo e todos em função desta produtividade e dos seus frutos, agora está pronto para introduzir uma nova qualidade nos seus relacionamentos – a qualidade da sabedoria

Nos dias da sua juventude recebeu do passado um vasto legado de conhecimentos, habilidades e confortos. 

Compreendendo isto, agora, no final da sua vida, o indivíduo está pronto para devolver à sociedade e principalmente aos jovens os frutos da sua longa experiência no uso e no manejo do legado que recebeu.


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"Sábio é quem em tudo lê". Plotino

"Sábio é quem em tudo lê". Plotino

Entendimento dos Símbolos

Por Fernando Pessoa

Benedictus Dominus Deus noster qui debit nobis signum

O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.


A primeira é simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Têm o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada - todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.

A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.

A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isso se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição não a tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.

A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é em síntese; e a compreensão é uma vida. Assim, certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou ao mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.

A quinta é menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é graça, falando a outros que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.

Eu sei ler as estrelas!

Eu sei ler as estrelas!

Próspero, o duque de Milão à sua filha, Miranda em "A Tempestade".

Próspero, o duque de Milão à sua filha, Miranda em "A Tempestade".

Sobre A Metafísica - Rainha das Ciências - A Hécuba kantiana: * A S T R O L O G I A *

Aristóteles: "Este mundo está ligado duma maneira necessária aos movimentos do mundo superior. Todo o poder no nosso mundo é governado por estes movimentos" . (Tratado do Céu)

São Tomás de Aquino: "Os corpos celestes são a causa de tudo o que se produz neste mundo sublunar, agem indiretamente sobre as ações humanas, mas nem todos os efeitos que produzem são inevitáveis". (Suma, quest. XV, art. 5 e vol.III, pp. 2-29)

Dante: "Os astros são, de fato, a causa primeira de vossas ações, mas haveis recebido uma luz que vos permite distinguir o bem do mal, e uma vontade livre que, após ter começado a lutar contra os astros, de tudo triunfa se for bem dirigida". (Purgatório, XVI, 73)

Tycho-Brahé: "O homem contém em si uma influência bem maior do que a dos astros; superará as influências se viver segundo a justiça, mas, se seguir as suas tendências cegas, se descer à classe dos brutos e dos animais, vivendo com eles, o rei da natureza já não comanda, é comandado pela natureza".

Kepler: "Vinte anos de estudos práticos convenceram o meu espírito rebelde da realidade da astrologia".

Goethe: "Vim ao mundo em Franco forte-sobre-o-Meno a 28 de Agosto de 1749, ao soar a última badalada do meio-dia. A constelação era feliz, o Sol estava no signo da Virgem; Júpiter e Vênus formavam com ele bons aspectos; Mercúrio não era desfavorável, Saturno e Marte eram neutros; só a Lua, cheia nesse dia, exercia a força da sua reverberação tanto mais poderosa quanto a sua hora planetária havia começado. Opôs-se, portanto, ao meu nascimento até que essa hora passou. Estes bons aspectos, mais tarde altamente apreciados pelos astrólogos, serão sem dúvida a razão por que fiquei vivo, pois, pela incúria da parteira, julgaram que estava morto quando vim ao mundo, e só depois de numerosos esforços vi a luz". (Poesia e Verdade, cap. I).

Balzac: "A Astrologia é uma ciência imensa e que reinou nas mais altas inteligências".

C.G. Jung: "Se as pessoas cuja instrução deixa a desejar têm julgado que podem fazer troça da astrologia, considerando-a como uma pseudociência há muito liquidada, essa astrologia, remontando das profundezas da alma popular, volta hoje a apresentar-se às portas das nossas universidades, que deixou há três séculos". (Seelenprobleme derGegenwart, p. 241)

André Breton: "É (a astrologia) para mim uma dama muito alta, muito bela e vinda de tão longe que não pode deixar de encantar-me. No mundo puramente físico, não vejo outra cujas qualidades possam rivalizar com as suas. Parece-me, além disso, guardar um dos mais altos segredos do mundo. É pena que hoje – pelo menos para o vulgo – reine no seu lugar uma prostituta". (Atrologie moderne, nº 12, Outubro de 1954)

Claude Lévi-Strauss: "Os antigos construíram um sistema, e esse sistema, a partir do momento em que foi construído, mostrou-se operante e fecundo, pois o homem só pode pensar com sistemas. A astrologia foi um grande sistema, pois ajudou o homem a pensar durante milênios". (L'Astrologue, nº 9)

Lucien Malavard (Prof. De Ciências na Sorbonne): "Penso que os antigos fizeram de certo modo ciências humanas avant lalettre por meio da astrologia: elaboraram assim uma classificação dos seres, uma maneira de ver mais claro nos comportamentos humanos. Pela minha parte, sentir-me-ia tentado a situar a astrologia ao lado das ciências humanas, um pouco mais longe...". (L'Astrologue, nº 15)

ASTROLOGIA NÃO É DOGMA DE FÉ (creio/não creio).

Requer conhecimentos básicos de matemática, geometria, mitologia, antropologia, história, psicologia, semiótica, física, astronomia e filosofia pré-socrática.

Conclamar a união de todas essas disciplinas já a torna deveras intrigante!

Ouça entrevista (em áudio) que concedi sobre Astrologia em "Conhecimento Sem Fronteiras", no site da ESDC: http://www.esdc.com.br/

Entrevista em áudio sobre Astrologia

Realizada por Márcia Oshiro com a Profª Luciene Félix


1ª Parte (duração: 10:45)

O que é astrologia?
Quais os pressupostos deste Saber?
Que conhecimento é necessário para decodificar essa linguagem?
O que são os quatro elementos?
O que tem a nos dizer sobre a Era de Aquário?
No que o estudo de um mapa astral pode ajudar as pessoas?
Qual é a informação mais importante de um mapa astral?

2ª Parte (duração: 9:34)
Após o Sol, qual é a segunda informação a ser analisada?
Como descobrir qual é nosso signo Ascendente?
E quem é de Câncer, por exemplo? Errata: Asc. Câncer mesmo é para quem nasce entre 6 e 8hs da manhã
Qual planeta rege qual signo?
Podemos confiar em mapas da internet?
E quanto às interpretações dos mapas astrais da internet?

3ª Parte (duração: 11:25)
Após o Sol, o Ascendente e a Lua, o que deve ser analisado?
Breve resumo do posicionamento de Vênus nos 4 elementos?
E o que seria uma Vênus mal posicionada?
E quanto a localização do planeta Marte num mapa?

4ª Parte (duração: 9:49)
Posicionamento de Marte & Vênus e a vida sexual.
O que é "Trânsito Astrológico"?
Exemplo de Trânsito.
Qual influência do ciclo de lunação?
E quanto a Lua Cheia?

5ª Parte (duração: 13:24)
O grande presente: o benéfico Júpiter!
Interpretação do trânsito de Júpiter/Zeus por Casas.
Em que consiste o sistema de Casas derivadas?
Sobre a arte do divinatio, da advinhação.
Conhecendo "O Segredo" de se auto-conhecer
E quanto ao rebaixamento de Plutão?
És astróloga? Ensinas a ler as estrelas...